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abril 2018

Os riscos do excesso de bagagem no carro

By | Dicas

A cena é comum nas estradas, durante os meses de férias ou nos feriados prolongados: carros com famílias ansiosas por um período de descanso e diversão, mas que, sem nem se dar conta, podem estar correndo sérios riscos devido ao excesso de bagagem. Para entender quais são as práticas que podem ameaçar a integridade física dos passageiros e quais os procedimentos corretos, conversamos com Gerson Burin, coordenador técnico do CESVI Brasil – Centro de Experimentação e Segurança Viária.

Carga é no porta-malas

Evitar o transporte de qualquer carga solta dentro da cabine é a primeira recomendação. “Infelizmente, esse é um hábito muito comum. As pessoas levam caixas, malas e objetos pesados soltos no interior do veículo, sem pensar em qual seria a sua dinâmica no caso de um acidente”, diz Burin. “Em uma colisão, esses objetos vão inevitavelmente se deslocar pelo interior do veículo e podem causar ferimentos nos ocupantes”.

O especialista do CESVI explica que esse deslocamento também pode acontecer em uma frenagem mais forte – e, mesmo se não atingir os passageiros, a movimentação da carga pode assustar ou tirar a atenção do motorista, levando a um acidente. O porta-malas é o compartimento que foi projetado especificamente para o transporte de carga e, no caso de uma colisão ou frenagem, seu conteúdo permanece isolado da cabine e dos passageiros.

Além disso, buscando aumentar a capacidade do porta-malas em alguns litros ou para transportar algum objeto mais longo, muitos motoristas retiram o tampão (no caso de hatches) ou removem a cobertura retrátil do compartimento (SUVs e peruas). Na prática, isso equivale a levar as malas soltas dentro do carro, já que em um acidente elas não encontraram nenhum obstáculo para invadir a cabine.

Por sua vez, o porta-malas de 352 litros é pequeno para o segmento (Foto: Divulgação)

No interior

Caso seja necessário levar algum volume dentro da cabine, ele precisa estar ancorado ou preso com o cinto de segurança, jamais solto. Burin afirma ainda que é recomendável optar pelo porta-malas mesmo para acomodar volumes menores, como bolsas e mochilas. Quando levados dentro da cabine, a recomendação é que fiquem junto ao assoalho do veículo – jamais sobre o tampão traseiro ou no painel frontal.

Burin também ressalta que não se deve nunca obstruir a visão das janelas – laterais ou traseira – e que a base dos vidros é o limite para se acomodar objetos. “Quando se ultrapassa essa linha, o motorista perde campo visual através do retrovisor interno”, explica, lembrando que já presenciou casos até de pessoas que usam o banco dianteiro para transportar grandes caixas, bloqueando totalmente o retrovisor direito e potencializando o risco de acidentes.

Questão de balança

O peso transportado é outro fator a ser observado. Todos os veículos têm uma capacidade de carga máxima, informação que se encontra disponível no manual do proprietário. Se ultrapassar esse limite, o motorista vai sobrecarregar o carro, pois estará rodando fora das especificações para as quais ele foi projetado. Há o risco de fadiga ou quebra de componentes mecânicos, principalmente nos freios e suspensão, ou o estouro de um pneu, levando a um acidente. Além disso, haverá um desgaste prematuro desses conjuntos.

Além disso, mesmo dentro do limite de peso do veículo, é preciso ter atenção com dois outros fatores. O primeiro é fazer a calibragem dos pneus com a pressão recomendada pelo fabricante para quando o veículo estiver carregado. A informação consta no manual do proprietário e, na maior parte dos veículos, também em uma etiqueta fixada no carro, geralmente na porta do motorista, na coluna central ou na portinhola de abastecimento.

Outro fator é a forma de dirigir. Carregado, o automóvel terá reações diferentes das que o motorista está acostumado quando roda com ele vazio. “Em função do peso, o veículo terá menor capacidade de frenagem”, explica Burin, ressaltando que o motorista precisa então ter em mente que o veículo necessitará de alguns metros a mais até parar e, por isso, as frenagens precisam ser antecipadas. Há, também, uma perda na capacidade de aceleração e retomada de velocidade, principalmente em modelos de baixa potência, o que demanda atenção redobrada ao acessar uma via de grande movimento ou ao fazer ultrapassagens.

Burin ainda alerta para a necessidade de reduzir a velocidade de contorno das curvas. “Mais pesado, o veículo sofrerá maior ação da inércia, ou seja, a tendência de ser jogado para fora nas curvas será maior”, diz o consultor do CESVI, que acrescenta que a carga também tende a elevar o centro de gravidade do veículo, fazendo com que a carroceria incline mais.

Bagageiro e rack

Para ampliar a capacidade de carga, o uso dos bagageiros e racks de teto é uma ótima opção, mas demanda muito cuidado. É fundamental fazer sua instalação seguindo as instruções e os limites de peso estabelecidos pelo fabricante, assim como na forma de acomodar e fixar a carga. Caso contrário, há risco de a bagagem se soltar e cair com o carro em movimento, provocando um acidente. O excesso de peso ou a instalação incorreta também podem danificar o teto do veículo.

Volkswagen Fox Xtreme 2018 rack de teto (Foto: Divulgação)

Além disso, é preciso respeitar os limites legais para o uso desse tipo de equipamento. A carga não pode ultrapassar a lateral do veículo e sua altura máxima é de 50 centímetros acima da linha de teto. Outro ponto importante é que os cuidados com a condução do veículo citados anteriormente devem ser redobrados, uma vez que a carga no teto vai mudar toda a aerodinâmica do veículo, afetando ainda mais as acelerações e retomadas. A massa concentrada no teto eleva ainda mais o centro de gravidade do veículo, aumentando a inclinação da carroceria nas curvas, comprometendo bem a estabilidade.

Ainda que todas essas recomendações sejam seguidas, vale dizer que um pouco de cautela nunca fez mal à ninguém. Por isso, quando usar o bagageiro ou o rack de teto, faça paradas regulares durante a viagem para checar a fixação do volume e também da carga. Aproveite para esticar as pernas e tomar um café.

 

Fonte: Auto Esporte

Pirelli lança pneu que se comunica com o carro

By | Notícias

Carros inteligentes precisam de pneus inteligentes. Por que não? A Pirelli apresentou durante o Salão de Genebra o projeto batizado de “Cyber Car”. Trata-se de um programa que envolve um pneu ultra tecnológico que pode se comunicar com o veículo e seu proprietário, em tempo real. Tudo para aprimorar a experiência de condução. É um avanço do programa “Pirelli Connesso”, lançado em 2017.

No conceito do projeto, que agora passa a ser trabalhado junto às montadoras, cada pneu contém um sensor que registra não apenas a pressão interna, mas também a temperatura, a carga vertical imposta, desgaste e localização.

Através de um sistema chamado “Connesso”, a Pirelli transmite essas informações aos usuários por meio de uma aplicativo de smartphone. Além disso, os dados são carregados na nuvem. A ferramenta é muito útil para reconhecer, por exemplo, quando o clima está frio, com possibilidade de deixar o piso mais escorregadio. O software percebe a condição e pode intervir, acionando os freios ABS e o controle de estabilidade do veículo.

Um dado importante para se calcular a autonomia de carros elétricos é o peso que ele carrega sobre os eixos. E é aí que entra outra vantagem do pneu futurista da fabricante italiana. Ele pode informar, com precisão e regularidade, qual é a carga que o veículo pode carregar.

Segundo a Pirelli, o Cyber Car também pode permitir o acesso a um conjunto de serviços personalizados para atender às necessidades dos motoristas, como a disponibilidade de estacionamentos, assistência em rodovias e manutenção. Vários fabricantes automotivos já estão em fase avançada de integração com a tecnologia da Pirelli e os primeiros veículos equipados com o pneu inteligente podem chegar ao mercado no final deste ano.

O único veículo oficialmente calçado com a novidade até agora é ninguém menos do que a Ferrari FXXK, um superesportivo híbrido de 1.050 cv. Nada mal começar assim, hein?

 

Fonte: Auto Esporte

O que pode fazer seu carro gastar mais combustível do que deveria?

By | Dicas

consumo de combustível sempre foi uma das principais preocupações dos motoristas em relação aos seus carros, ainda mais em tempos bicudos – esta é, invariavelmente, uma das informações mais requisitadas pelos nossos leitores sobre as novidades que chegam ao mercado. Mas, além das características próprias de cada marca/modelo/versão, existem outros fatores que entram nessa conta do consumo de combustível. Quem nunca ficou de queixo caído ao saber que um parente, amigo ou conhecido, dono de um modelo igualzinho ao seu, consegue uma média de consumo bem melhor ou pior que a sua?

Para entender essa questão, procuramos o engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE BRASIL – Sociedade de Engenheiros da Mobilidade, que listou os principais fatores que influem no consumo de combustível de um veículo.

Calibragem errada dos pneus

Eles são o único ponto de contato do veículo com o solo. Os pneus, portanto, tem um papel crucial em qualquer questão de consumo de combustível – mais especificamente, devido à sua resistência ao rolamento. E é exatamente por isso que os chamados “pneus verdes” estão se popularizando cada vez, uma vez que eles ajudam a reduzir o consumo de combustível por terem uma baixa resistência ao rolamento.

No dia a dia, o motorista deve ficar atento à calibragem dos pneus com a pressão recomendada pelo fabricante, que deve ser feita pelo menos a cada 15 dias – ou semanalmente, se você roda por vias em mau estado de conservação, cheias de buracos e irregularidades. “Pneus com pressão 10% abaixo do recomendado pelo fabricante podem, dependendo de características do veículo, em um aumento no consumo de combustível entre 6% e 10%, pois aumenta a sua resistência ao rolamento”, alerta Satkunas.

Pneus (Foto: Reprodução)

Carro cheio

Se você vai viajar com o carro cheio de passageiros e de bagagem, é essencial calibrar os pneus para esta situação. Todos os modelos possuem uma pressão recomendada para quando o veículo está carregado – informação que consta no manual do proprietário e, na maioria dos modelos, em uma etiqueta localizada na porta do motorista, coluna central ou na portinhola de abastecimento. A calibragem correta, além de economizar combustível, também contribui para prolongar a vida útil dos próprios pneus.

Rodas desalinhadas

Além disso, o desalinhamento das rodas também provoca maior resistência ao rolamento dos pneus – e, por consequência, aumento no consumo de combustível. Por isso, o alinhamento deve ser feito a cada 10 mil quilômetros – ou sempre que você pegar algum buraco de forma mais brusca. Fique atento, também, a esses sintomas: pneu “cantando” em curvas de baixa velocidade e desgaste excessivo nos ombros do composto são os sinais mais claros de que as rodas precisam ser alinhadas.

Rodas (Foto: Reprodução)

Filtros de ar 

Além dos pneus, alguns itens de manutenção tem relação direta com o consumo e estão entre os primeiros suspeitos quando o consumo de combustível de um carro aumenta com a mesma rotina (mesmo motorista, percurso e horários). O primeiro item é o filtro de ar, que pode estar sujo e precisa ser substituído. “Nessa situação, o fluxo de ar fica reduzido e a central eletrônica faz a compensação injetando mais combustível”, explica Satkunas. “O aumento no consumo pode chegar a até 8%.”

Por isso, siga a quilometragem indicada pelo fabricante para a substituição do filtro de ar. Se a utilização for em condições severas – como uso diário em estradas de terra ou em congestionamentos com grande concentração de poluição – essa quilometragem deve ser reduzida pela metade (Satkunas explica que a fuligem da poluição tem efeito similar ao das partículas de terra). Em situações muito extremas, é recomendável levar o carro até uma concessionária ou mecânico de confiança para checagem do filtro.

Velas sujas e defeitos nas bobinas

Outros problemas que afetam diretamente o consumo de combustível são velas sujas, defeitos nos cabos de vela ou nas bobinas. Esses problemas podem ser identificados com relativa facilidade, pois provocam redução de potência e falhas na aceleração.

Ar-condicionado

Os departamentos de engenharia das marcas trabalham exaustivamente em cima da aerodinâmica dos seus modelos, sempre em busca de pequenos detalhes no design da carroceria que permitam ao veículo cortar o ar de forma mais eficiente. Já no dia a dia, a principal influência do motorista nesse ponto é a abertura das janelas – de onde nasce a dúvida: é mais econômico rodar com o ar-condicionado ligado ou com com as janelas abertas? A recomendação de Satkunas é de sempre fechar as janelas e usar o ar-condicionado ao rodar acima de 40 km/h. “A partir dessa velocidade, o consumo começa a aumentar em torno de 2% a 3%, acima do que se perde com o ar ligado”.

No entanto, Satkunas faz algumas ressalvas. “No meio da cidade, mesmo rodando devagar, muitas vezes não é seguro abrir as janelas”, diz. “Por outro lado, muitas vezes a temperatura ambiente já caiu, mas o motorista esquece de desligar o ar-condicionado”. Então, fique atento e desligue o sistema de climatização sempre que possível. Vale lembrar que alterar a temperatura ou diminuir a velocidade da ventilação não alteram o consumo, uma vez que o compressor continua funcionando da mesma maneira.

Por fim, é possível economizar um pouco de combustível desligando o ar-condicionado um pouco antes de se chegar ao destino. Isso também pode ajudar a sua saúde, já que a prática seca os dutos e o filtro da cabine, reduzindo a ocorrência de fungos no sistema – o que causa aquele mau-cheiro característico.

Ar-condicionado (Foto: Reprodução)

Excesso de peso

Não é por acaso que todas as fabricantes de veículos trabalham intensamente para reduzir o peso dos seus carros. Em todos os grandes mercados mundiais, as empresas precisam atender à metas de redução de consumo de combustível que estão cada vez mais rígidas. “Quanto maior a massa a ser deslocada, maior o consumo de combustível”, resume Satkunas. Mas o motorista também precisa fazer a sua parte: não utilize o porta-malas do veículo como um guarda-volumes, transportando itens desnecessários.

Além disso, Satkunas também dá uma dica para motoristas que rodam pouco diariamente e enchem o tanque a cada duas semanas ou mesmo em um mês. “Ao encher o tanque e demorar tanto para consumir o combustível, do ponto de vista da engenharia, o motorista está carregando um peso morto durante a maior parte dessa quilometragem”, explica. Nesse caso, ao invés de encher o tanque, o motorista pode abastecer meio tanque ao invés de completar, aumentando o número de visitas ao posto.

Excesso de peso no carro (Foto: Reprodução)

Combustível adulterado

A adulteração de combustível é um grave problema no Brasil e que pode provocar graves danos no motor – ou, na hipótese menos grave, aumentar o consumo de combustível do veículo. Dependendo do tipo de adulteração, o motorista pode nem sentir mudanças na tocada do carro e só vai perceber algum problema ao checar a média de consumo no computador de bordo ou quando encostar novamente na bomba de combustível.

“Os sistemas de injeção eletrônica conseguem se adequar às condições do combustível que está sendo utilizado. Na época do carburador, qualquer adulteração tinha um efeito quase que imediato”, explica o conselheiro da SAE.

Combustível adulterado (Foto: Reprodução)

Pé pesado

A atuação do motorista na condução do veículo é outro fator que tem uma grande influência no consumo. É por isso que muitas vezes, com um mesmo carro (ou seja, sem estar sujeito a diferenças no estado geral ou na manutenção), diferentes pessoas da família obtém médias bem distintas. Falando de forma geral, o motorista que conduz o veículo de forma mais suave, com acelerações e frenagens progressivas, gasta menos combustível – e quem tem a tocada baseada em acelerações e frenagens vigorosas, gasta mais.

Acelerando (Foto: Reprodução)

O que acontece se eu desligar o carro em movimento?

By | Dicas

Se você tem um carro com botão start/stop, aquele comando para dar partida no motor, já deve ter se perguntado: o que aconteceria se alguém apertasse o sistema com o veículo em alta velocidade ou virasse a chave da ignição? Foi exatamente essa pergunta que Autoesporte fez a dois consultores. Veja a resposta:

Primeiro (lógico!), o motor para. Com isso, o pedal do freio fica muito duro e o esforço para parar o veículo aumenta consideravelmente. O servo freio para de funcionar. “A direção assistida, seja elétrica ou hidráulica, para de funcionar e fica muito mais difícil esterçar. Mas o mais perigoso é a trava de direção, que pode imobilizar o volante”, afirmou Francisco Satkunas, engenheiro mecânico e conselheiro da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade). É aí que surge o problema. Se isso acontecer, o motorista perde o controle direcional do veículo e o risco de um acidente é certo.

Em carros com sistema start/stop, o perigo é exatamente o mesmo. O volante também pode travar em uma única direção, o que faria o motorista perder o controle do carro. A única diferença é que não bastará apertar o botão da ignição. “Para desligar o veículo com start/stop, é necessário segurar o comando por mais de três segundos para que o motor desligue”, diz Nilton Monteiro, diretor adjunto da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva).

 

Fonte: Auto Esporte